Programa da Disciplina (2024.1)
Segue abaixo o programa da disciplina no semestre 2024.1: peço a todos que leiam essa peça com atenção, para podermos discutir os detalhes de rotinas didáticas, procedimentos de avaliação e outros detalhes de nosso andamento, já em nosso primeiro encontro da próxima segunda-feira, dia 25/03.
INSTITUTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO SOCIAL
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS CULTURAIS E MÍDIA
Disciplina: Semiótica Visual e Retórica Textual (GEC 342)
Nesses termos, supõe-se que o fenômeno fotográfico esteja como que previamente justificado neste seu aspecto de rendição instantânea ou de impregnação mecânica do mundo visual numa superfície sensível. Tomada na condição dessa sua filogênese, essa fixação momentânea do mundo visual (e o caráter instrumentalizado de sua origem) teria inclusive precedência sobre quaisquer daquelas outras características das formas visuais que emergiram desse processo e dos aparatos aí implicados: mantêm-se fora de questão, portanto, os modos pelos quais a imagem fotográfica entra nos circuitos semióticos que a disparam, especialmente quando estão em jogo os elementos que a transformariam em variável dos processos de comunicação e transmissão cultural plenamente possibilitados através dessas formas visuais (sobretudo quando estes envolvem uma dimensão de produção discursiva da visualidade, em suas manifestações mais variadas, assim como o caráter de sua publicização enquanto práticas documentais da imagem fotográfica).
No presente contexto, nos interessa avaliar criticamente alguns dos pressupostos e das estratégias argumentativas sobre as quais esse discurso pôde se sustentar, de modo a impedir-nos vislumbrar o fenômeno fotográfico, a não ser na condição de sua determinação por um “engenho de visualização”. No horizonte particular deste exame, interessa-nos interpor a essas teses uma proposição teoricamente alternativa, pela qual a questão da significação visual na fotografia possa ser menos assimilada aos entornos mediáticos de seu funcionamento e mais às condicionantes de certos protocolos semiótico-pragmáticos para sua compreensão - ou seja, nos circuitos propriamente comunicacionais em cujo interior vemos assimilada a dimensão aspectualizada da instantaneidade, e com a qual a fotografia é freqüentemente relacionada.
Objetivos: a disciplina pretende oferecer um percurso crítico pelas teorias da fotografia com maior circulação em nossos ambientes acadêmicos, com especial ênfase sobre aquelas que trabalham sobre a dominância dos dispositivos técnicos de sua produção como aspectos determinantes de sua significação. Na base dessa avaliação, avançaremos para o exame de determinadas questões que informam a experiência das imagens fotográficas, tanto na perspectiva da criação quanto naquela de sua apreciação estética.
Conteúdo Programático:
Introdução: De onde vêm e para onde vão as teorias da fotografia: reprodutibilidade técnica e “discurso do dispositivo” (Kracauer, Benjamin, Flusser); as “idades do índice” nas teorias da fotografia (Barthes, Dubois, Schaeffer); transparência, valor epistêmico, interesse estético e novas teorias da fotografia (Lopes, Costello, Wilson, Atencia-Liñares).
Unidade 1: Dimensões do agenciamento na fotografia: estilo fotográfico, “padrão de intenção” (Baxandall) e “valor epistêmico da imagem” (Cohen e Meskin): a “fatura fotográfica” (Maynard); “regimes discursivos” da fotografia (Krauss); estilos da espera na fotografia (Lissovsky).
Unidade 2: Regimes de agenciamento nas práticas fotográficas: regimes absortivos e narrativa visual nos projetos de longa duração no fotojornalismo contemporâneo (Renata Benia); representações do drama e da morte no fotojornalismo e na fotografia documental (Melissa Campello); práticas arquivísticas da fotografia no campo da arte (Josenilma Dantas)
Procedimentos e Critérios de Avaliação: a disciplina será conduzida na forma de sessões expositivas feitas pelos docentes, em torno do universo temático do programa (definido a partir do conteúdo programático e do cronograma das aulas), com eventuais debates com todos os estudantes (as notas referentes a estas atividades estarão disponíveis no blog da disciplina, para consulta ao fim de cada sessão, no endereço seguinte: https://gec342.blogspot.com/). A avaliação se dará mediante a exames parciais, no decorrer da disciplina, versando sobre aspectos do universo temático exposto e discutido durante o semestre, levando também em conta aspectos do envolvimento nas atividades da disciplina, sob critérios e valores que serão discutidos oportunamente, em sala de aula.
Referências Bibliográficas:
ARMSTRONG, C. “Automatism and Agency Intertwined: a spectrum of photographic intentionality”. In: Critical Inquiry. 38/4 (2012): pp. 705, 726;
AZOULAY, Ariella. “Introduction”. In: The Civil Contract of Photography. New York: Zone Books (2008): pp. 9, 30;
BARTHES, R. “A retórica da imagem”. In: O Óbvio e o Obtuso (trad. Léa Novais). Rio: Nova Fronteira (1990): pp.
BAXANDALL, M. “Introdução: linguagem e explicação” In: Padrões da Intenção (trad. Vera Maria Pereira). São Paulo: Cia das Letras (2005): pp. 31,44;
BAZIN, A. “Ontologia da imagem fotográfica”. In et al.: A Experiência do Cinema (Ismail Xavier, Ed.). Rio: Graal (1983): pp. 121,128;
BELLOUR, R. “A querela dos dispositivos” (trad. Luciano Vinhosa). In: Poiésis. 12 (2008): pp. 15,22;
BENJAMIN, W. “Pequena história da fotografia”. In: Walter Benjamin: magia e técnica, arte e política (trad. Sérgio Paulo Rouanet). São Paulo: Brasiliense (1985): pp. 91,107;
BENJAMIN, Walter. “A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica”. In: Walter Benjamin: magia e técnica, arte e política (trad. Sérgio Paulo Rouanet). São Paulo: Brasiliense (1985): pp. 165,196;
COHEN, J. E MESKIN, A. “On the epistemic value of photographs”. In: Journal of Aesthetics and Art Criticism. 62/2 (2004): pp. 197,210;
COSTELLO, D. e PHILLIPS, D.W. “Automatism, Causality and Realism: foundational problems in the philosophy of photography”. In: Philosophy Compass. 4/1 (2009): pp. 1, 21;
DUBOIS, P. “Da Verossimilhança ao Índice: pequena retrospectiva histórica sobre a questão do realismo na fotografia” e “O Ato Fotográfico: pragmática do índice e efeitos de ausência. In: O Ato Fotográfico (trad. Marina Appenzeller). Campinas: Papirus (1993): pp. 23, 108;
FLUSSER, V. Ensaio sobre a Fotografia: para uma filosofia da técnica. Lisboa: Relógio d’Agua (1998);
FRIDAY, J. “André Bazin’s ontologic of the photographic and film imagery”. In: Journal of Aesthetics and Art Criticism. 63/4 (2005): pp. 339,350;
GOMBRICH, E.H. “Standards of Truth: the arrested image and the moving eye”. In: The Image and the Eye. London: Phaidon (1982): pp. 244,277;
HARIMAN, Robert, LUCAITER, John Louis. “Introduction”. In: No Caption Needed: iconic photographs, public culture, and liberal democracy. Chicago: University of Chicago Press (2014): pp. 1,24;
KRACAUER, S. “Photography”. In: Theory of Film. New York: Oxford University Press (1060): pp. 3,23;
KRAUSS, R. “Os espaços discursivos da fotografia”. In: Arte e Ensaios (2006): pp. 155, 168;
LISSOVSKY, M. “O portal do instante”. In: Contracampo. 9 (2004): pp. 221,238;
LUGON, O. “La série”. In: Le Style Documentaire. Paris: Macula (2001): pp. 241, 295;
MAYNARD, P. “Drawing and Shooting: causality and depiction”. In: Journal of Aesthetics and Art Criticism. 44/2 (1985): pp. 115,129;
PERINI, Laura. “Depiction, detection and the epistemic value of photographs”. In: Journal of Aesthetics and Art Criticism. 70/1 (2012): pp. 151,160.
PICADO, B. “Sobre/Pelo/Contra o Dispositivo: revisitando a arché da fotografia”. In: Matrizes. 5/2 (2011): pp. 165,181;
PICADO, B. “Engenhos de Visualização e ‘Modos de Ver’: um outro discurso sobre a arché fotográfica”. In: Contemporanea. 9/1 (2011): 99,116;
SCHAEFFER, J.-M. “O arché da fotografia” e “O ícone indicial”. In: A Imagem Precária (trad. Eleonora Bottman). Campinas: Papirus (1996): pp. 13,93;
SNYDER, J. “Picturing vision”. In: Critical Inquiry. 6/3 (1980): pp. 499,526;
SNYDER, J. e ALLEN, N.W. “Photography, vision and representation”. In: Critical Inquiry. 2 (1975): pp. 143,169;
WALTON, K. “Transparent Pictures: on the nature of photographic realism”. In: Critical Inquiry. 11/2 (1984): pp. 246, 277.
Cronograma (sujeito a alterações de percurso) :
1. 25/03: apresentação da disciplina e do conteúdo programático2. 01/04: imagem, modernidade, reprodutibilidade (Benjamin, Kracauer, Flusser);3. 08/04: Dos dispositivos às “idades do índice” (Barthes, Dubois, Schaeffer, Bellour);4. 15/04: Pragmáticas da transparência: novas teorias da fotografia (Lopes e Costello);
5. 22/04: não haverá aula (VI Jornada da Rede_Grafo; 6. 29/04: não haverá aula (mini-feriado)7. 06/05: Causalidade e agenciamento fotográfico (Fried e Ginzburg);8. 13/05: Sinais do estilo: geometria, fatura e espera (Frizot, Maynard e Lissovsky);
9. 20/05: A relação estética na criação fotográfica: Jeff Wall e Cao Guimarães;10. 27/05: Três poéticas do contato fotográfico: tabu, estratégia e narrativa;
11. 03/06: Contrato civil, fotografia e democracia (Azoulay, Hariman e Lucaites);
12. 10/06: A imagem da morte no fotojornalismo e na fotografia documental;
13. 17/06: Instante, artifício e absorção na fotografia e na arte (Fried e Chevrier);
14. 23/06: Imagem, duração e regimes absortivos do fotojornalismo contemporâneo;
15. 30/06: a definir
16. 07/07: a definir
17. 14/07: última sessão do curso (a definir)
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