Questão da 1a Avaliação Parcial do curso

Queridos e queridas,

Como prometido, segue o enunciado da questão a ser trabalhada por vcs., como relativa aos temas que abordamos na 1a unidade do curso - versando sobre temas da ortodoxia das teorias clássicas da fotografia, e suas devidas críticas, em certas linhagens das novas teorias da fotografia.

Peço que leiam esse enunciado com atenção e me consultem, em caso de eventuais dúvidas. De todo modo, a data para entrega das respostas, através do Google Classroom, é o dia 27 de maio, até às 20:00, de modo impreterível.

Desejo uma boa semana a todos.

Atenciosamente,

Benjamim 

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO SOCIAL

DEPARTAMENTO DE ESTUDOS CULTURAIS E MÍDIA

 

Disciplina: Semiótica da Imagem (GEC 108)

Professores: Benjamim Picado, Melissa Campelo, Josenilma Dantas e Renata Benia

Horário: Segundas-Feiras, de 14 às 18:00

Local: Sala J8G (IACS)

 

1a AVALIAÇÃO PARCIAL

 

1. Considere as seguintes passagens de textos, relativos aos temas abordados na 1a Unidade do curso, dedicada às teorias clássicas e às novas teorias da fotografia:

 

“Do mesmo modo que Bazin, [Stanley] Cavell se interessa ao mesmo tempo por aquilo que é distintivo na relação ntre a fotografia e aquilo a que ela se refere, e e por que essa relação tem uma especial significação para nós. Cavell toma o fato de que a fotografia é sobre a ‘realidade’ como não-controversa; a questão é como isso pode ser compreendido. De acordo com Cavell, uma fotografia de x, diferentemente de uma pintura de x, não representa nem assemelha-se a x, mas a transcreve ou regista. Isto conduz Cavell a afirmar que uma fotografia não nos apresenta a ‘semelhança’ com algo, mas a ‘coisa ela mesma.’” (COSTELLO, Diarmuid. “Foundational intuitions and folk theory”. In: Photography: a philosophical inquiry, p. 42)

 

“Com uma fotografia ideal não é necessário nem mesmo possível que a intenção do fotógrafo entre como um fator sério na determinação de como a fotografia é vista. É imediatamente reconhecido pelo que é – não como uma interpretação da realidade, mas como uma apresentação da aparência de algo. Em certo sentido, olhar para uma fotografia substitui olhar para a coisa em si; consideremos, por exemplo, o mais ‘realista’ de todos os meios fotográficos, a televisão. Não parece mais controverso dizer que vi alguém na televisão – isto é, que ao ver televisão eu o vi – do que dizer que o vi num espelho. A televisão é como um espelho: ela não destrói, mas embeleza aquela elaborada cadeia causal que é o processo natural da percepção visual.” (SCRUTON, Roger. “Photography and representation”, In: Critical Inquiry ,7/3, 1981, p. 588)

 

“A impressão – portanto, a imagem fotônica – constitui o arché da imagem fotográfica, na medida em que esta se define como registro de traços visíveis. Que estatuto dar a essa definição no decorrer da análise? A pergunta admite duas respostas diferentes, que determina a busca por caminhos divergentes. Pode-se fundar a análise da imagem na definição do arché: desenvovleremos então todas as consequências daí decorrentes com relação ao estatuto fotônico da imagem (…). A segunda possibilidade consiste, ao contrário, em estudar como essa especificidade físico-químida é levada em conta (ou não) quanto à imagem como signo analógico.” (SCHAEFFER, Jean-Marie. “O arché da fotografia”. In A Imagem Precária, p. 26)  

 

“Juntando as coisas, obtemos o seguinte: parte do que significa ver algo é ter experiências visuais que são causadas por isso de uma maneira puramente mecânica. Os objetos causam mecanicamente suas fotografias e as experiências visuais dos espectadores; então vemos os objetos através das fotografias. Em contraste, os objetos causam pinturas não mecanicamente, mas de uma forma mais ‘humana’, uma forma que envolve o artista; então não vemos através das pinturas.” (WALTON, Kendall. “Transparent Pictures: on the nature of photographic realism”. In: Critical Inquiry, 11/2, 1984, p. 261)

 

Em seguida, tome em conta as duas imagens seguintes:

 

Der Spiegel, “O caso Stamheim”, 1980

 

Gehrard Richter, “Man shot down” (1989)

 

Tendo em conta as teses das teorias clássicas da fotografia sobre a necessária demarcação entre essas imagens e aquelas que caracterizam outras formas de representação visual, analise essas imagens, com atenção sobre alguns pontos fundamentais:

  • ·    Em que sentido a percepcão das diferenças entre elas é atribuída ou não à percepção das diferentes qualidades visuais nas imagens, separando a fotografia da pintura – para além da informação das legendas?
  • ·    Em que medida a avaliação de cada uma das imagens leva em consideração a admissão de prevalência de um agenciamento intencional, relativamente à eventual procedência causal ou mecânica de cada uma delas?
  • ·      Em que grau se pode estipular que a significação de alguma dessas imagens é mais “testemunhal” do que as outras, e como estabelecer esse ponto pelo exame direto das características de cada uma delas?  

Elabore esse questão em uma dissertação de aproximadamente 1.500 palavras (em torno de 3 páginas, em Times Roman 12, espaço simples), procurando argumentar sobre o ponto, a partir das referências aos textos de base da unidade, assim como a minhas notas das exposições sobre o tema.  

A data de entrega dos trabalhos, a ser feita na área de tarefas do Google Classroom da disciplina, é o dia 27 de maio, até às 20:00.

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